Os casos de gravidez na adolescência são constantes. O que fazer?

Os casos de gravidez na adolescência são constantes. O que fazer?

A gravidez precoce é adjetivada e encarada como ‘um acidente’ por muitos dos novos pais que vivenciam essa situação. Quando não desejada, lidar com essa nova realidade pode ser um desafio e tanto. Um tripé formado por Família, Igreja e Psicologia pode contribuir positivamente.

Segundo estudos, os fatores psicológicos que podem ocorrer a uma gravidez e o risco de engravidar podem estar associados a uma baixa autoestima ou à menor qualidade de atividades do seu tempo livre. Itens como a falta de apoio e afeto da família, em uma adolescente, cuja autoestima é baixa, com mau rendimento escolar e grande permissividade familiar, poderiam induzir na jovem a busca pela maternidade precoce. Talvez, o meio para conseguir um afeto dessa família ou uma família própria.

Uma das válvulas de escape, a psicologia oferece apoio e corrobora junto às jovens e seus conflitos internos, que podem se desdobrar de diversas maneiras. Sentimento de inferioridade, revolta, culpa, medo e depressão são alguns resultados frequentes desse período entre as mulheres. Enfim, não é possível diagnosticar previamente os sintomas, pois cada indivíduo é único.

Para a psicóloga Rosemeire Vieira, “a psicologia vem ajudar a adolescente a tomar ciência de suas novas responsabilidades e a mudança de vida que uma criança trás”. Essa ajuda irá depender da demanda solicitada, porque o fator gravidez precoce tem ligação com diversos fatores – social, familiar e educacional. “A maioria dos casos de gravidez ocorre na classe econômica mais baixa, talvez pela falta de informação ou de um futuro melhor”, aponta a psicóloga.

Talvez para a adolescente o mais difícil seja ver-se em uma nova fase da vida, tendo que deixar muitas coisas que gosta de lado e se projetar como mãe e responsável pelo um novo ser. “Pouco a pouco fui também me preparando para enfrentar o fato de que minha vida não seria a mesma, pois estava carregando comigo alguém que dependeria de mim pelo resto da vida”, conta Cristiane.

Apoio familiar

Os relacionamentos entre os jovens ocorrem de maneira rápida e em um ritmo, digamos, inadequado. A educação, os valores e a tecnologia do momento propiciam um número maior de contatos e de novas amizades. Essa é uma grande discussão. “Atualmente, as pessoas se encontram, mal se conhecem e já têm relação sexual. No outro dia, não se olham, não se conversam e tão pouco se conhecem. Essa tem sido a realidade de muitas jovens”, afirma Rosemeire.

Acolher e apoiar são verbos que fazem a diferença na vida dos jovens, se aplicados, obviamente. Cristiane vivenciou essa fase e a reproduz com gratidão. “Tive o apoio e compreensão da minha família. Lembro até hoje as primeiras palavras que meu pai me disse: ‘Filha esta situação não era a que eu sonhava para você, mas agora o que nos resta é lhe apoiar e ajudar no que for preciso’. Foi como se uma faca me cortasse o peito, mas ao mesmo tempo foi a mais linda demonstração de amor que minha família teve por mim”, completa.

Os valores sociais e tudo o que a juventude absorve durante o passar dos anos podem contribuir em alguns casos. Ou seja, a grande mídia tem uma representativa participação neste processo. Segundo a psicóloga, “a exibição de sexo sem compromisso nas novelas, seriados e comerciais influenciam a prática desses relacionamentos. Desse modo, nossos jovens antecipam uma fase importante que é o sexo seguro e com maturidade psicológica e emocional”, conclui.

Redução de casos no País

Mais de 485 mil partos foram realizados em adolescentes na rede pública em todo o Brasil em 2008, segundo estudo do Ministério da Saúde, divulgados neste semestre. Partindo desta premissa, já é possível notar o atual cenário brasileiro nesse milênio.

Os números apresentados contabilizam dados da última década. É importante frisar que, embora a quantidade ainda seja grande, a pesquisa trouxe alívio ao Ministério da Saúde e demais autoridades, já que a situação era ainda pior. O atual índice representa uma redução de 30% (ocorreram 699 mil partos em 1998). Esse resultado se deve, principalmente, ao acesso às políticas de prevenção e orientação sobre saúde sexual. As pesquisas ainda apontam que uma em cada cinco mulheres que dão à luz tem menos de 19 anos.

Ainda de acordo com o Ministério, o Brasil atingiu um recorde mundial no incentivo a métodos contraceptivos: a compra de um bilhão de preservativos masculinos em 2008 – a maior aquisição feita por um governo no mundo. Grande parte disso é distribuída em campanhas como as do carnaval. Em 2009, foram entregues 19,5 milhões de preservativos aos estados.

Por Tadeu Inácio

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