O outro lado do Carandiru – Uma lição de liberdade

Por em 23, abril 2013
carandiru

Hoje me deparei com duas notícias interessantes sobre o notório Massacre do Carandiru:

“Jurados condenam 23 PMs por mortes no Carandiru em 1992. Réus foram condenados a 156 anos de prisão, mas podem recorrer livres.” Você pode ler a notícia completa aqui. Cinco condenados por massacre do Carandiru continuarão atuando na PM. Oficial, sargentos e cabos permanecerão trabalhando na corporação. Você pode visualizar mais detalhes desta segunda notícia aqui.

Sei da sensação de indignação que temos ao ler matérias como estas. O Brasil parece esquecer-se fácil de tragédias, erros e crimes. Muito mais rápido que o lento processo judiciário brasileiro é o esquecimento de fatos tão pertinentes.

Quero aqui te chamar a pensar em alguns pontos de vista sobre este acontecimento. O primeiro é o dos familiares que perderam seus queridos neste massacre. Não é necessário me aprofundar muito aqui, pois você pode certamente imaginar o que sentem.

O segundo é dos policiais, que não queriam ter feito muitas das coisas que fizeram, mas por ordem de superiores e pelo calor do momento cometeram atos dos quais certamente se arrependem até os dias de hoje. Se você conversar com alguns militares, notará que muitos deles carregam culpas e sentimentos de autoflagelação por coisas que tiveram que fazer devido ao poder da hierarquia e do militarismo.

O terceiro é o lado dos presos sobreviventes. Muitos deles certamente tem carregado traumas e medos por anos e tem visto isso os afundar em dor, sofrimento e mais decisões erradas em sua vida, tomadas com base no ódio e no rancor adquiridos contra o Estado e seus representantes.

Não importa o lado para onde você olhar, todos saíram prejudicados desta tragédia. E não há como deixar de considerar que até mesmo os culpados – que devem ser punidos em conformidade com a lei – saem disso tudo com traumas e feridas para o resto da vida. Ao olharmos para situações como estas, fica muito claro que há um poder do mal que se esforça por reduzir o homem feito à imagem e semelhança do Pai a uma situação humilhante e degradante. Por vezes tratados como um pedaço de carne, por outra tratados como animais. Presos e libertos, bandidos e heróis fardados (pois de fato o são), mas muitas vezes colocados em situações em que poderiam sim ser considerados de um mesmo lado (talvez a única vez). O lado dos que estão sendo atacados e subjugados por Satanás todos os dias. Uns usados pelo mal para criar o crime e ameaçar a sociedade. Outros que dedicam suas vidas para combater o crime e estar ao lado do bem, muitas vezes se vêem tão vítimas quanto nós cidadãos civis, quando precisam fazer justiça com suas próprias mãos por ordem de alguém ou pelos poucos segundos que tem para tomar decisões que diferem seu futuro entre a vida e a morte.

A grande realidade é que todos vivemos encarcerados em nossas próprias prisões. Presos, em suas celas. Cidadãos em suas casas repletas de grades. Policiais em sua incerteza de voltar ou não vivos para suas casas ao final do dia. Autoridades presos no peso da culpa de decisões erradas. Cada qual com seus motivos e razões, mas todos prisioneiros de um mundo mau.

A boa notícia é que há esperança.

O ex-detento e atual pastor evangélico Jacy de Oliveira, no lugar que, segundo ele, se localizava o Pavilhão 9 do Carandiru - hoje um parquinho infantil do Parque da Juventude.

O ex-detento e atual pastor evangélico Jacy de Oliveira, no lugar que, segundo ele, se localizava o Pavilhão 9 do Carandiru – hoje um parquinho infantil do Parque da Juventude.

Jacy Lima de Oliveira afirma lembrar todos os detalhes daquele 2 de outubro de 1992. As imagens, o cheiro, e, principalmente, os gritos. “Foi um inferno na Terra, estou vivo por um milagre”, lembra o ex-presidiário da antiga Casa de Detenção e sobrevivente do massacre que deixou 111 mortos, quando há 20 anos a polícia de São Paulo invadiu o pavilhão 9 da penitenciária após um início de rebelião.
“Eu sobrevivi, eu vi a história, eu pisei em sangue que dava quase na canela, e isso não é exagero, não! Ouvi gritos que até hoje ecoam na minha mente”, contou Jacy ao  portal G1, em uma entrevista feita no Parque da Juventude, construído após a implosão dos pavilhões do Carandiru e inaugurado em 2003. “Quando venho aqui eu me sinto livre, feliz de estar vivo. E me sinto também muito triste por saber que aqui morreu muita gente, e que os crimes estão impunes. Na verdade isso aqui é um tapete em cima de um grande montão de sujeira.”

O massacre ficou conhecido internacionalmente, e até agora nenhum réu foi preso. Todos respondem ao processo em liberdade – e nenhum ficou ferido na ação. Alguns se aposentaram e outros morreram antes mesmo de serem julgados.
Jacy foi para o maior presídio da América Latina aos 27 anos, suspeito de um roubo a uma mansão no Morumbi – que alega não ter participado. “Eu vivia uma vida de criminalidade, muita droga, era um desespero, mesmo. Mas quando eu estava no auge do crime e da droga, achei por bem procurar um trabalho”.
Segundo ele, um irmão achou um bico de auxiliar de pedreiro e ele aceitou. Quando chegou lá, viu que um outro ajudante era da mesma quadrilha que ele participava. Segundo Jacy, que na época era conhecido como “mineirinho”, pela origem do estado vizinho, o companheiro de gangue organizou o assalto, mas sem chamá-lo. “Fiquei 11 meses e quatro dias preso. Nesse tempo fui seis vezes ao Fórum. Nunca provaram nada contra mim nesse caso.”
Jacy entrou com uma ação contra o Estado na Justiça por ter ficado preso sem condenação e, segundo ele, ganhou em primeira e segunda instâncias, e agora aguarda a liberação da indenização. O atual pastor evangélico, e pai de dez filhos, publicou um livro com seu relato do massacre. O título será exatamente esse: “Eu sobrevivi para testemunhar o massacre do Carandiru”.

O começo: rebelião no Pavilhão 9

Biblioteca do Parque da Juventude foi construída, segundo Jacy, no lugar do Pavilhão 2, onde era feita a triagem dos presos do Carandiru (Foto: Flavio Moraes/G1)

Biblioteca do Parque da Juventude foi construída, segundo Jacy, no lugar do Pavilhão 2, onde era feita a triagem dos presos do Carandiru (Foto: Flavio Moraes/G1)

Jacy conta que naquele 2 de outubro era o seu dia de fazer a comida na cela. Ele saiu para procurar óleo antes do fim do período de banho de sol, e quando descia as escadas viu uma aglomeração estranha no segundo andar, uma briga entre presos.
“Quando decretaram a rebelião, a gente estava esperando a hora, porque automaticamente o Choque ia entrar. Aí começaram a quebrar tudo. Tocaram fogo em toda papelada da justiciária, quebraram os espelhos da barbearia, quebraram os canos de esgoto e aquela água de fezes começou a desaguar dentro do pavilhão”, disse.

“Quando foi 18h, se viu pela televisão as aglomerações no portão. Só que não só entrou o Choque, entrou o Gate [Grupo de Ações Táticas Especiais] e a Rota [Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar]. Na minha concepção, eles entraram para matar, não para apaziguar, acabar com a rebelião. Eu tive um privilégio, que tenho pra mim como um milagre, porque muitos que passaram ali, como eu, morreram a facada, a tiro a queima roupa na cabeça. Eu passei no corredor da morte duas vezes. Descendo em direção ao patio e voltando. Subiram na minha frente umas 80 pessoas e eu ouvi o grito da morte delas.” Jacy acredita que os mortos foram muito mais do que os oficiais 111. “Até hoje tem família procurando os filhos no sistema carcerário”, diz ele.

Outro sobrevivente concorda com Jacy: os números reais de mortos seriam bem maiores. Sidney Sales estava no quinto andar do Pavilhão 9 quando começou a rebelião, e conta que na hora que os policiais chegaram, ele estava abaixado, rezando junto com outros presos.
“Policial invadiu e pediu para todos nós tirarmos a roupa e, quando saímos, já existiam diversas pessoas estiradas no chão. Descemos até o primeiro andar e pediram para ficar com a cabeça entre as pernas. Ali, por volta de umas duas ou três horas, os policiais mandaram que os detentos retornassem a suas celas. E quando eu estava nessa fila um policial bateu no meu ombro. Eu pensei que ele ia tirar a minha vida, mas foi justamente quando ele me pediu para carregar alguns cadáveres.”

Sidney Sales é sobrevivente da chacina no Carandiru. Hoje é pastor evangélico e gestor de quarto clínicas de reabilitação em Jundiaí (SP).

Sidney Sales é sobrevivente da chacina no Carandiru. Hoje é pastor evangélico e gestor de quarto clínicas de reabilitação em Jundiaí (SP).

Sidney disse, num depoimento dado na última sexta-feira (28) em um encontro de movimentos sociais em São Paulo, que carregou cerca de 35 cadáveres. Quando percebeu que um dos corpos que carregava era justamente de um preso que fazia o mesmo que ele, entendeu que aquilo se tratava de “queima de arquivo” e fugiu para dois andares superiores. Lá, conta que encontrou mais três policiais que lhe mostraram um molho de chave e disseram que ele teria uma única chance de sobreviver: se a chave que escolhessem abrisse a cela à sua frente. “Quando ele cata aquela chave, eu recito o salmo 91, e quando ele bate a chave e torce, o cadeado abre, e milagrosamente eu entro pra dentro daquela cela.”
Emocionado, Sidney contou que voltou para a criminalidade e para as drogas depois do massacre, quando foi transferido para a penitenciária de Mirandópolis e depois liberto. Anos depois, em uma troca de tiros com uma gangue rival, foi baleado e ficou paraplégico. Na cadeira de rodas, foi preso novamente em um assalto e convertido à igreja evangélica dentro da cadeia. Hoje, Sidney é coordenador de um centro de reabilitação de jovens viciados em drogas. Autor do livro “Paraíso Carandiru”, ele ajuda no tratamento de 120 pessoas em uma chácara, em Jundiaí. “O sistema carcerário me fez uma pessoa qualificada para o mundo. Tento reverter a sequela que o Estado me deixou, fazendo o que o Estado não fez.”

Não gostaria de terminar este post, sem que você pudesse ler este lindo sermão do Pr. Fernando Iglesias, o qual exemplifica muito do que Deus pode fazer para transformar nossa vida de escravidão e prisão em liberdade e felicidade eterna:

CARANDIRU, UMA LIÇÃO DE LIBERDADE

Pr. Fernando Iglesias

“No primeiro semestre de 2002 no Brasil foi lançado o filme Carandiru, do diretor Hector Babenco. Alvo de críticas e elogios, os jornais mostravam um filme tentando mostrar a dura realidade do que era viver dentro das grades no Carandiru. Sempre super lotado e cheio de rebeliões, o Carandiru foi um dos piores exemplos de carceragem para o mundo.

Mas em uma das rebeliões que aconteceram dentro do Carandiru, a rebelião XX de julho de 1987 aconteceu uma história de liberdade, que poderá trazer liberdade também para sua vida! Em seu livro Estação Carandiru, o Dr. Drauzio Varella conta como os presos eram perigosos e viviam em condições sub-humanas.

Haviam dez médicos para cuidar de 7 mil presos e o presídio apresentava um número elevadíssimo de casos de AIDS, fora os casos mais corriqueiros e freqüentes como: eczemas, alergias, infecções, picadas de percevejos, sarna, tuberculose, doenças venéreas, etc.

Era o dia 30 de julho de 1987 e a manchete do Jornal da Tarde trazia a rebelião do Carandiru na sua capa. Tudo começou com a tentativa de fuga do assaltante Édson Alves Alkimin, às três da tarde e terminou por volta das nove da noite. A certa altura, 600 presos estavam envolvidos e aproximadamente 300 policiais, com revólveres, rifles, metralhadoras e bombas de gás lacrimogêneo. Foram mortos 29 presos, entre eles Osni Rodrigues dos Santos e dois guardas de presídio. Édson Alves Alkimin, que começou tudo, estava condenado em 1987 a cumprir pena até o ano de 2113. Ele era perito em fugas espetaculares. Já havia escapado de lugares muito difíceis como o DOPS e o presídio de Ilha Grande.

Num depoimento ao Jornal da Tarde o Coronel que comandou a invasão da penitenciária, Coronel Mello Araújo declarou: “Já vi e enfrentei muitas coisas na vida de policial, mas o que aconteceu nesta noite foi demais”.

Será que algo de bom poderia acontecer dentro do Carandiru, mesmo naquelas condições?

Quero convidar você a ler esta história que Jesus contou. Está em Lucas 15:11-16

E Jesus disse ainda: -Um homem tinha dois filhos. Certo dia o mais moço disse ao pai: “Pai, quero que o senhor me dê agora a minha parte da herança.” -E o pai repartiu os bens entre os dois. Poucos dias depois, o filho mais moço ajuntou tudo o que era seu e partiu para um país que ficava muito longe. Ali viveu uma vida cheia de pecado e desperdiçou tudo o que tinha. O rapaz já havia gastado tudo, quando houve uma grande fome naquele país, e ele começou a passar necessidade. Então procurou um dos moradores daquela terra e pediu ajuda. Este o mandou para a sua fazenda a fim de tratar dos porcos.

Ali, com fome, ele tinha vontade de comer o que os porcos comiam, mas ninguém lhe dava nada.

Esta é a conhecida parábola do Filho Pródigo. Ela conta de um rapaz que foi criado com regras muito rígidas, num lar judeu cheio de não(s).

Um dia o rapaz se cansa de tantas regras e decide sair de casa para ser livre. Só que antes de sair de casa ele fala com seu pai e diz: “Sabe Pai, eu gosto muito do Senhor, mas eu queria ser dono do meu próprio nariz. Eu queria aprender com meus próprios erros! Eu sei que um dia você vai morrer e vai deixar a herança para mim e para meu irmão. Mas eu gosto muito de você e não quero que você morra! Mas como eu posso sair de casa sem dinheiro? Então pai, eu andei pensando: O senhor poderia me dar a minha parte da herança.

Uma das coisas que me deixa mais intrigado nesta parábola que Jesus contou é que o pai não quer que o filho saia de casa, mas mesmo assim ele respeita tanto a liberdade de seu filho, que o pai concorda em dar o dinheiro para que o filho possa sair de casa.

Sabe, Deus ensina pra você muitas boas regras, diz o que é bom e o que é ruim, fala o que você deve e o que não deve fazer, Ele realmente não quer que você saia de perto dele, porque ele deseja protege-lo, como um pai amoroso, mas se você não quer estar perto dele, Ele dá liberdade para você decidir.

Então o rapaz sai de casa para ser livre! Na opinião dele, totalmente livre!

Veja agora, o testemunho desse jovem:

“Eu me sentia preso em minha própria casa, um sentimento comum entre muitos adolescentes que não aceitam as regras, a disciplina dos pais, e com isso eu comecei sistematicamente a desobedecer ao meu pai, sair de casa, andar em companhias erradas, fugi algumas vezes da minha casa indo para outros lugares causando problemas, transtornos na minha casa, enfim, um prisioneiro. Sonhava em ter a minha liberdade, eu achava que essa liberdade só teria abandonando a minha casa.” (JOÃO CARLOS)

Na parábola do Filho Pródigo que Jesus contou, o filho também saiu de casa para ser Livre!

Algumas pessoas que são criadas com regras, quando se livram de suas regras acabam caindo no outro extremo.

O rapaz saiu de casa pensando em ser livre, por isso mergulhou de cabeça em tudo aquilo que seu pai sempre proibiu. Mergulhou nas bebidas, nas drogas, na prostituição e no jogo. Ele realmente exerceu tudo aquilo que ele achava que era liberdade. Fez tudo o que sempre teve vontade, mas que nunca tinha feito por proibição do seu pai.

Aos poucos foi gastando toda a fortuna que o pai havia dado, até gastar tudo!

Quando menos percebeu, já era um viciado, arruinado, estava caído na sarjeta, pois ninguém queria ajudá-lo mais.

Ele havia saído de casa para ser livre, mas quando já era tarde demais, ele aprendeu que TUDO AQUILO QUE ELE PENSAVA SER LIBERDADE, ACABOU O ESCRAVIZANDO AINDA MAIS!

João Carlos fala um pouco mais sobre sua experiência:

“Eu saí da minha casa em busca da liberdade que eu tanto sonhava, por me sentir um prisioneiro em casa. De repente me vi com tanta liberdade e nenhuma responsabilidade.

Comecei a andar em más companhias, enfim, a liberdade que eu sonhei, que eu imaginei para a minha vida, acabaram por me levar cada vez mais para um beco sem saída, andar com pessoas que não eram confiáveis, a praticar pequenas arruaças, pequenos delitos, e até a conseqüências mais sérias, roubos, assaltos, até ser preso, com dezenove anos de idade, com muitos processos que iriam me render muitos anos de reclusão.

Primeiro presídio, um presídio muito grande na capital do Paraná, ali eu fui apresentado ao que era realmente o mundo para o qual eu tinha entrado, o meu sonho de liberdade tinha se transformado na verdade em um pesadelo, um mundo completamente diferente, pessoas violentas, os mais fortes sub julgavam os mais fracos, e ali dentro eu aprendi que para sobreviver eu tinha que ser um deles, e em muito breve eu era pior do que aquelas pessoas, e a minha rotina de vida dentro da prisão, passaram a ser castigos, transferências de um presídio pra outro, e eu me transformei em uma pessoa mais rebelde, desobediente, insubordinado, e em todos os presídios pra onde eu ia, eu era sinônimo de problemas e confusão, até não ser mais aceito em nenhum presídio do Sul do Brasil. Eu seria enviado para a penitenciária do Carandiru em São Paulo.” (JOÃO CARLOS)

João Carlos foi parar no Carandiru.

É incrível como de repente, você se encontra num nível tão baixo onde você nunca pensou se encontrar! De repente, você olha ao redor e diz: “Minha vida está uma droga!

Eu nem tenho mais prazer de estar vivo! “Mas como Deus tem sempre a solução para nossos problemas, Jesus continua:

Caindo em si, ele pensou: “Quantos escravos do meu pai têm comida de sobra, e eu estou aqui morrendo de fome!

Vou voltar para a casa do meu pai e dizer: Pai, pequei contra Deus e contra o senhor e não mereço mais ser chamado de seu filho. Me aceite como um dos seus escravos.” (Lucas 15: 17-19)

O filho acabou reconhecendo que liberdade sem Deus é escravidão pior ainda!

Ele antes se achava um escravo, só por causa das normas do pai, mas agora reconheceu que até os escravos do seu pai estavam em melhores condições que ele.

Então Jesus continua dizendo: “E, levantando-se, foi para seu pai. Vinha ele ainda longe, quando seu pai o avistou, e, compadecido dele, correndo, o abraçou, e beijou.”(Lucas 15:20)

JOÃO CARLOS:

“Na rebelião de julho de 1987, parecia ser o clímax de um pesadelo tão terrível que eu estava vivendo, que muitas vezes eu pensei em dar um fim na minha vida. Eu estava completamente afastado da minha família e naquele dia, naquela invasão dos policiais, eu tive a sensação de que eu seria morto naquela invasão, de que naquele dia eu morreria.

No momento em os policiais se aproximavam do local onde eu estava, eu pedia a Deus para salvar a minha vida, pedi para Aquele Deus que tantas vezes eu havia desprezado e rejeitado, não havia deixado que ninguém falasse Dele para mim, salvar a minha vida, que eu mudaria de vida. Em uma das minhas idas para o Paraná, pra responder processo, em uma cela muito cheia de gente, em uma delegacia, eu encontrei uma pessoa que me falou de Jesus e que me passou o endereço de uma Igreja Adventista do Sétimo Dia.

Voltando para São Paulo, eu entrei em contato com essa igreja, e uma senhora, a Dona Angelina Piologro da Igreja Central Paulistana, começou a me visitar, me levou bíblia, estudos bíblicos, eu passei a estudar a bíblia, aceitei a Jesus em meu coração, percebi que Ele era a única saída para a minha vida.

A amizade foi crescendo tanto com essa senhora que eu passei a conhecer a sua família, conheci a sua filha, a Éster, passamos a gostar um do outro, nos apaixonamos. A princípio fiquei muito assustado e preocupado com essa idéia, tentei no começo esconder esse sentimento, preocupado em que essa moça e essa senhora se ofenderiam com isso.

Tentei uma transferência para o interior do estado. Mas por fim, percebemos que Deus tinha algo de especial para as nossas vidas. Com a concordância e as benção da mãe começamos a namorar. Dentro da prisão nos casamos, dentro da própria prisão eu fui batizado, organizamos uma igreja, uma pequena comunidade.

Algum tempo depois, minha esposa ficou grávida e tivemos uma filha que hoje tem 11 anos de idade, a Gabriela. Minha vida hoje está maravilhosa, hoje, verdadeiramente eu sou um homem livre. Jesus me concedeu a verdadeira liberdade por incrível que pareça dentro das grades de uma das piores prisões do mundo, no complexo do Carandiru, onde eu me encontrava.

Lá eu pude experimentar verdadeiramente o que diz na bíblia: “Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará”.

Estou há quatro anos em liberdade condicional. Logo que saí fui estudar, fiz um curso de auxiliar técnico de enfermagem. Hoje trabalho no Hospital Adventista de São Paulo no departamento de enfermagem no Centro Cirúrgico, junto com a minha esposa Éster que também trabalha no Hospital Adventista como técnica em radiologia. Juntos nós trabalhamos, e juntos temos construído uma história de amor, de amizade e uma história de vida”.

Naquele dia durante a rebelião do Carandiru, o João caiu em si. Olhou para o alto e falou com Deus. Ele desenhou sua volta pra Deus. Leie suas próprias palavras.

JOÃO CARLOS: “Jesus verdadeiramente pode libertar qualquer pecador, eu sou um exemplo disso. Psicólogos, Psiquiatras me davam como uma pessoa sem recuperação para a sociedade, hoje eu estou aqui, uma pessoa de bem, trabalhando, vivendo uma vida sem culpa, sem remórcios, verdadeiramente livre em Jesus Cristo. Porque um dia lá na cruz, Ele garantiu a liberdade pra mim e pra todos aqueles que precisam ser livres.”

Esta não é apenas a história de alguém que conheceu a Deus dentro de uma prisão. Esta é a história da sua vida. Há prisões piores do que o Carandiru. Quem sabe você é um prisioneiro, um escravo:

- Da solidão (você não tem ninguém com quem contar)

- Da falta de fé em Deus (você até gostaria de ter fé em Deus, mas não consegue)

- Prisioneiro da falta de regras de sua vida (você sempre viveu uma vida cheia de liberdades e agora está sentindo as terríveis conseqüências a que isto leva)

- Prisioneiro de um casamento mal feito e que aterroriza sua vida a cada dia.

- Prisioneiro de filhos que foram criados sem regras e sem Deus e que agora só causam desgraça à sua vida.

- Prisioneiro das dívidas. Quem sabe ainda agora antes de ligar seu televisor você já tinha planejado se matar. Sua vida não presta, é só sofrer.

- Quem sabe você tem sido prisioneiro do pecado. Gostaria de encontrar a Deus, mas são tantas dúvidas na sua cabeça. Todos os dias você se olha no espelho e parece que é um estranho que aparece ali. Quer fazer o que é certo, mas cada vez mais só faz o que é errado. Quanto mais tenta se aproximar de Deus, mais se afasta dele.

Jesus disse: “Caindo em Si…” (Lucas 15:17)

O mesmo poder que um dia alcançou aquele jovem quando estava longe de casa, o mesmo poder que alcançou ao João Carlos dentro do Carandiru chega hoje até você. Jesus olha nos seus olhos e o convida a voltar do jeito que você está. Sujo, cheio de problemas, com a vida miserável!

O Senhor Jesus quer abençoar a sua vida hoje. Você não quer cair em si hoje? Quantas vezes Deus tem lhe convidado, mas você tem negado o convite? Reconheça a sua situação. Corra para os braços de quem lhe ama e pode lhe ajudar!

ORAÇÃO

Querido Deus, nós temos vivido neste mundo em meio a prisões. Quando andamos pela rua, sentimos o vento tocar o nosso rosto, mas não temos gosto por nada que sentimos, que vemos, que ouvimos, porque somos escravos, prisioneiros. Precisamos ser libertos, Senhor. Mostre-nos o caminho.

Senhor, ilumine-nos para encontrarmos o caminho que leva a Ti. E que nós, juntos, possamos dar as mãos e chegar, Senhor, bem pertinho do Seu trono. Ajuda-nos a sentir os Seus braços em nossos ombros, nos libertando pra sempre.

Em nome de Jesus, amém.

Fontes: Fotos e compilações de matérias do portal G1 – Sermão: Pr. Fernando Iglesias

Sobre André Marujo

André Marujo é consultor em Mídias Sociais, Marketing Digital e Comunicação Integrada. É o responsável pela comunicação digital da Seven Editora, incluindo as revistas Mais Destaque e Desbravar.

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