Como a Bíblia chegou até nós?

Por em 22, março 2013
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Luiz Gustavo Assis é pastor em Porto Alegre (RS).

Como você provavelmente já sabe, a Bíblia não foi escrita em português. Basicamente, dois idiomas foram utilizados em sua composição: o hebraico para o Antigo Testamento (AT), e o grego para o Novo Testamento (NT). Algumas porções do AT foram escritas em aramaico, uma língua bem parecida com o hebraico. Diante disso, será que podemos confiar nas traduções que temos à nossa disposição?

Ao escrever sobre este assunto, me lembrei imediatamente de uma jovem em uma das minhas congregações que estava um tanto confusa com tantas traduções da Palavra. Depois de navegar em alguns sites não confiáveis sobre as Escrituras Sagradas, ela chegou à conclusão de que as versões que temos dos textos bíblicos são tão diferentes que pode-se afirmar que existem várias Bíblias, e não somente uma.

O trabalho de tradução não é fácil. A situação fica ainda mais complicada quando é necessário traduzir uma expressão idiomática – típica de um local e de uma época – para outro idioma. Apenas para você pensar: traduza para o inglês ou espanhol a expressão “eu estou morto de cansaço”, mas lembre-se, você não está morto. Se você traduzir como “eu estou muito cansado”, não é tradução, é interpretação. Da mesma forma, traduzir expressões próprias de idiomas como hebraico e grego para o português está longe de ser uma tarefa fácil.

A dúvida desta aluna não é nova e nem isolada. Porém, é preciso lembrar que existem diversos manuscritos bíblicos com mais de 2.000 anos, do AT, e o mais surpreendente, eles estão idênticos à nossa Bíblia. Os famosos Manuscritos do Mar Morto (MMM), descobertos por um beduíno, um morador do deserto, em 1947, demonstram, sem sombra de dúvidas, que a versão das Escrituras Sagradas que temos é idêntica àquela utilizada por Jesus.

Manuscritos do Mar Morto (MMM)

Vale lembrar que os escribas dos tempos bíblicos eram tão rigorosos com as cópias produzidas por eles, que, após uma página ser concluída, se o número de letras do texto utilizado para a cópia não fosse o mesmo da versão copiada, esta seria queimada. Graças ao trabalho preciso de muitos destes homens, podemos afirmar que as importantes mensagens do AT foram bem preservadas. Os manuscritos demonstram isto.

O chamado Pentateuco Samaritano é muito útil para demonstrar que os cinco primeiros livros escritos por Moisés não sofreram alteração ao longo dos séculos. Os samaritanos eram um grupo religioso que aos olhos dos judeus, eram ritualmente impuros. Você deve se lembrar da Parábola do bom samaritano (Lucas 15) e da conversa de Jesus com uma mulher samaritana (João 4). Os samaritanos tinham a sua própria versão do Pentateuco. Na opinião de um falecido estudioso dos manuscritos do AT, David Noel Freedman, o Pentateuco produzido pelos samaritanos tem se demonstrado muito útil para reconstruir algumas frases do AT.

Novo Testamento

Por estarmos em uma cultura e em uma época que disponibiliza muitos meios de fazer anotações, não somos obrigados a forçar memória para guardarmos as informações passadas diariamente.  Para surpresa, quando lemos a respeito da  métodos de ensino, em Israel, no 1º século d.C., a memorização era um dos principais. Alguns rabinos, isto é, líderes religiosos, eram capazes de decorar porções extensas das Escrituras Hebraicas. Alguns afirmavam que tinham memorizado todo o Antigo Testamento! A memorização, neste tipo de cultura era extremamente valorizada.

Existem diferenças entre manuscritos?

“Existem mais erros entre os manuscritos do Novo Testamento (NT) do que o número de palavras desde Mateus até Apocalipse.” Vou explicar melhor: existem hoje, aproximadamente, 5.700 manuscritos gregos do NT, mas eles diferem entre si em 400 mil frases, e o texto grego do NT contém 137 mil palavras. Não se engane, a ideia acima está distorcendo a verdade.

Vamos analisar as informações acima: de fato, existem milhares de manuscritos gregos do NT. Eles foram produzidos desde o 2º século d.C. até a invenção da imprensa, no século 15. Imagine só copiar diversos e diversos textos em uma época onde a iluminação não era das melhores e para complicar, pense nos diversos copistas que tinham problemas de visão. Lembrando apenas que os óculos foram inventados na Europa, na Idade Média. Portanto, é natural encontrarmos cópias diferentes.

As diferenças não alteram completamente a nossa Bíblia? Note, por exemplo, o texto de Gálatas 4:28, que diz: “Vós, porém, irmãos, sois filhos da promessa…”. Alguns manuscritos trazem, em vez de “vós”, o pronome “nós”. Os pronomes “nós” (hemeis) e “vós” (hymeis) são muito parecidos. Esse tipo de erro era muito entre os copistas. Outros diferenças não passam de erros gramáticais que nem sequer fazem diferença para o nosso português.

Muitas pessoas hoje têm deixado a fé cristã por não entenderem isso. Em 2005, o erudito bíblico e ex-cristão Bart Ehrman lançou um livro chamado Misquoting Jesus (Distorcendo Jesus), (traduzido maldosamente para o nosso idioma sob o título “O que Jesus disse? O que Jesus não disse? Quem mudou a Bíblia e por quê?”). Apesar de bem escrito, trata-se de uma avalanche de falácias colocadas dentro de um livro. Diversos acadêmicos cristãos publicaram suas respostas contra esta polêmica obra.

Você pode pensar: “Ninguém me falou sobre erros na Bíblia”. Mas lembre-se, o livro sagrado não caiu pronto do Céu. Homens foram usados pelo Espírito Santo na sua composição (2 Pedro 1:21). Ele não apenas inspirou a mente dos escritores, mas também não permitiu que ninguém alterasse as Sagras Escrituras.

Sobre André Marujo

André Marujo é consultor em Mídias Sociais, Marketing Digital e Comunicação Integrada. É o responsável pela comunicação digital da Seven Editora, incluindo as revistas Mais Destaque e Desbravar.

One Comment

  1. Wallace Pacheco

    2 de maio de 2013 at 0:20

    Muito interessante o texto.. Parabéns..

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