No Paquistão, adventista é sentenciado à prisão perpétua por blasfêmia

Por em 31, julho 2013
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Escrito por Elizabeth Lechleitner

Sajjad Masih, 29 anos, foi sentenciado por enviar mensagens de texto blasfemas a um membro de um grupo religioso extremista, em 2011, a despeito do acusador, posteriormente, se retratar, e dos promotores públicos não terem conseguido prover qualquer evidência de seu envolvimento. Javed Sahotra, advogado de Masih e membro da Igreja Adventista do Sétimo Dia, disse que o juiz dobrou-se à pressão dos extremistas que dominam a religião local e o cenário político.

John Graz, diretor de Liberdade Religiosa e Assuntos Públicos para a Igreja Adventista mundial, disse que o caso do Masih não é incomum. “Os membros das minorias religiosas no Paquistão vivem sob constante ameaça de serem acusados de blasfêmia”, disse Graz. “Eles sabem que se forem acusados, não poderão contar com uma investigação séria”.

De acordo com as informações obtidas, Masih foi incriminado por Donald Bhatti que, em maio de 2011, casou-se à força com a então noiva de Masih, coagindo os pais dela com promessas de vistos de trabalho. Bhatti havia namorado a jovem antes de se mudar para o Reino Unido e comenta-se que ele ainda tem ciúmes do relacionamento da jovem com o Masih. Depois da cerimônia, Bhatti imediatamente voltou para o Reino Unido, levando a esposa consigo. Masih e sua ex-noiva, porém, mantiveram contato, frequentemente ligando um para o outro.

Evidências distorcidas

Segundo o advogado Sahotra, em dezembro do ano passado, a polícia de Gojra vasculhou a casa de Masih em busca de evidência e com o propósito de prendê-lo. Seu acusador, Tariq Saleem, havia informado à polícia local a respeito das mensagens de texto e instou-os a monitorar o número do celular e prender seu proprietário.

Descobriu-se que o número estava registrado no nome da esposa de Bhatti. Ela contou a Masih que Bhatti havia comprado um chip usando seu cartão de identificação e fez arranjos para que um cúmplice enviasse as mensagens, esperando confundir o relacionamento deles, disse Sahotra.

A polícia de Gojra prendeu Masih em 28 de dezembro de 2011. Seu advogado o acompanhou à delegacia, onde esperava que ele pudesse registrar uma declaração e limpar seu nome, segundo o que disseram os líderes da Igreja, mas o caso foi registrado sob as leis de blasfêmia do Paquistão, que implica em morte ou prisão perpétua para qualquer pessoa culpada de blasfêmia contra Maomé, o profeta do Islã.

Liberdade Religiosa

Michael Ditta, presidente da União Paquistanesa da Igreja Adventista do Sétimo Dia (IASD), disse que as leis são notoriamente usadas para se vingar dos cristãos ou de outras minorias religiosas. No Paquistão, 96% dos habitantes é muçulmano, com apenas 2% da população do país se identificando como cristãos.

No início deste ano, o Paquistão ocupava o primeiro lugar na classificação da Comissão Americana Internacional sobre Liberdade Religiosa pela intolerância “sistemática, contínua e notória” contra grupos minoritários de fé.

Na delegacia, Masih disse que foi forçado, sob tortura, a “confessar” que havia enviado mensagens de texto. Posteriormente, ele foi enviado à prisão para aguardar julgamento.

Depois de mais de um ano e meio na prisão do distrito Toba Take Singh, Masih foi sentenciado à prisão perpétua, a despeito do fato de que na investigação, seu acusador admitiu que não havia recebido quaisquer mensagens de texto blasfemas, como inicialmente dissera.

Defesa de membros perseguidos

Na sede da Igreja mundial, nos Estados Unidos, em Maryland, Graz e outros membros da recém formada Comissão de Defesa de Membros Perseguidos por Motivos Religiosos estão acompanhando o caso do Masih. O grupo de trabalho também está advogando em favor de Antonio Monteiro, outro membro da Igreja Adventista que foi arbitrariamente preso.

“O que está acontecendo com o Sajjad Masih é outro exemplo trágico do abuso das leis de blasfêmia em algumas partes do Paquistão. Oprimir pessoas em nome de uma religião contradiz a mensagem de paz e justiça que advogamos para todas as religiões”, disse um dos membros da comissão.

Sobre Vanessa Moraes

Vanessa Moraes é jornalista da Seven Editora, empresa que publica as revistas Mais Destaque e Desbravar. Formada pelo Unasp campus Engenheiro Coelho, trabalhou na instituição como assessora de comunicação e também tem formação técnica em rádio e TV. Devoradora de livros, é apaixonada pelo seu trabalho e pretende mostrar Deus às pessoas através dele. Gosta de cantar e não perde a oportunidade de tomar aquele suquinho de laranja natural.

One Comment

  1. Priscila

    12 de novembro de 2013 at 20:14

    Gosto de pesquisar em ve1rias foents o estudo semanal da es.Senti que o comente1rio do pastor foi fundamental para dirigirmos o estudo semanal.Reoved para poder assimilar, pois o comente1rio ne3o e9 fe1cil mas foi de grande utilidade.Je1 repassei no Face.Um grande abrae7o,Armando.

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