“Deus esteve comigo”

Por em 1, junho 2015
PICO

Luiz Cardoso viu a morte de perto em várias ocasiões, mas sempre sentiu a mão de Deus e a companhia protetora de seu anjo

Escrito por Mayra Silva

Quando criança, Luiz Cardoso, mais conhecido como Picó, era muito sapeca. Uma de suas atividades preferidas era empinar pipa. O bairro em que Picó morava, em São Paulo, era formado por ruas com diversos morros. Por isso, ele preferia subir nas lajes das casas para brincar. Certo dia, enquanto Picó andava de costas em cima da laje, na tentativa de colocar a pipa nos ares, distraiu-se e caiu de cima da casa. “Mas Deus esteve comigo”, diz ele. Depois da queda, levantou-se e percebeu que não havia se machucado. E esse tipo de acidente se procedeu mais três vezes, entre seus 11 e 13 anos. “Graças a Deus, eu nunca tive um arranhãozinho e nenhuma gota de sangue proveniente dessas quedas”, menciona. Mas os acidentes não pararam por aí.

Após alguns anos, Picó ficou jovem e saiu de casa para estudar no Centro Universitário Adventista de São Paulo (Unasp), campus Engenheiro Coelho, onde se graduou em pedagogia. Depois de formado, tornou-se diretor de um colégio em Anápolis, no estado de Goiás. Todavia, ele sempre viajava de lá para São Paulo e vice-versa. Certo dia, em uma de suas viagens para Anápolis, Picó começou a falar com Deus. “Comecei a conversar com Ele porque estava me sentindo sozinho. Eu não estava sentindo a presença do meu anjo protetor ao meu lado”, confessa. Sozinho, ele orou, chorou e continuou conversando com Deus. E a viagem era longa. Mas Picó ficou o tempo todo indagando Deus pelo sentimento solitário que o possuía naquele momento. “Onde está o meu anjo?”, questionou.

Quando o pedagogo chegou a Anápolis, ouviu um barulho estranho no escapamento do carro que dirigia. Então, decidiu levar o veículo à oficina mais próxima. “Chegando lá, o mecânico ergueu meu carro e disse que eu não teria condições de continuar conduzindo o veículo, pois ele apresentava más condições de uso”, comenta. Naquele momento, Picó se assustou. “O escapamento do carro tinha rompido e havia uma tampa de borracha para esgotar a gasolina embaixo do tanque. O cano com o vapor do carro derreteu. A gasolina começou a vazar”, explica Picó. Analisando, ainda, as condições do motor, o mecânico disse que o carro podia explodir a qualquer momento. “Foi naquele instante que eu descobri onde meu anjo estava. Ele estava debaixo do carro, segurando-o para que não explodisse”, emociona-se Picó. Ele já havia percorrido mais de mil quilômetros com o carro em más condições de uso.

O pior dos acidentes

Atualmente, Picó é preceptor dos alunos que estudam no Unasp campus Engenheiro Coelho, local onde fez sua faculdade. O centro universitário possui regime de internato, no qual os alunos não apenas estudam, mas também moram em alojamentos que o campus disponibiliza. Lá residem tanto rapazes quanto moças. Picó é responsável por cuidar dos rapazes e manter a ordem do prédio onde residem. Certa noite, o Unasp promoveu uma festa para receber os alunos calouros, como faz todos os anos. Naquela noite, Picó não estava trabalhando. Mas, a pedido de seu chefe, aceitou auxiliar outros preceptores na organização da festa, para a qual foram armados vários brinquedos. Entre eles, havia uma tirolesa, erguida com madeira e cabos de aço. Tudo normal para uma festa de internato.

Picó estava ansioso para aproveitar um pouco daquela noite. Alías, era seu dia de folga. Ele queria jogar futsal no ginásio poliesportivo do internato. Então, pediu autorização para seu chefe, e este lhe pediu apenas para verificar se havia outro preceptor no ginásio que pudesse tomar conta dos alunos ali presentes. Com medo de não dar tempo de ir ao ginásio, voltar para casa a fim de pegar as chuteiras e retornar ao ginásio para jogar bola, Picó decidiu poupar esforços. Ele fez todo o percurso de moto. Depois, chegou ao ginásio, checou a presença de outro preceptor no local e, em seguida, foi embora. Ao fazer o retorno, Picó pegou um atalho pela grama, onde os brinquedos da festa estavam montados, inclusive a tirolesa. Mas algo aconteceu. Picó foi surpreendido naquela noite.

O preceptor notou a presença de alguns alunos se dirigindo a locais de restrito acesso. Então, como de costume, foi até eles para chamar a atenção. “Mas eu me esqueci de que próximo àquele local estava montada a tirolesa. E eu ainda estava pilotando a moto quando fui chamar a atenção dos alunos, mas, como o local estava escuro, nem me dei conta de que poderia estar próximo aos cabos de aço”, observa. No momento em que Picó percebeu os cabos, eles já estavam se deslizando sobre sua cabeça. “O cabo rachou a queixeira do capacete e cortou meu pescoço, causando um estrangulamento. Com isso, fui impedido de falar e gritar por ajuda. Aqueles alunos que fui socorrer é que acabaram me socorrendo”, lembra.

Picó começou a perder muito sangue, afinal, o corte era bem profundo. As pessoas que estavam à sua volta começaram a gritar por socorro. Entretanto, o preceptor foi colocado em cima da moto e um aluno conseguiu levá-lo à portaria do colégio. De lá, ele foi imediatamente encaminhado ao hospital. “No caminho, a morte passou pela minha cabeça mais uma vez. Minha mão estava gelada e eu sentia muita tontura. Naquele momento eu só conseguia imaginar meu velório, com as pessoas que eu mais amo na vida chorando ao redor do caixão.”

Ao chegar ao hospital, Picó logo foi atendido. O médico disse que a situação era grave, porque a cabo de aço foi capaz de cortar a pele, gordura e os músculos do pescoço. “Mas, para o meu alívio, o médico disse que eu ainda poderia sobreviver”, alegra-se o pedagogo. Após o médico dar-lhe essa esperança, Picó ficou inconsciente e, em seguida, foi encaminhado para a sala de cirurgia, onde levou aproximadamente 40 pontos no pescoço. “Um cabo de aço esticado na diagonal poderia ter pegado em qualquer lugar: na moto, no farol, no meu peito ou de raspão no capacete”, analisa Picó. “Por isso eu sempre oro a Deus pedindo a proteção dEle comigo. E Deus foi muito misericordioso naquela noite, pois não deixou que o pior acontecesse. Ele me livrou da morte mais uma vez”, frisa.

Sonho realizado

Picó sempre sonhou em construir uma família. Desde a juventude, ele pedia a Deus que seu sonho se tornasse realidade. “Teve uma época em que eu estava muito agoniado porque queria uma namorada para dar procedimento aos meus planos. Mas eu não a tinha. Eu sempre dizia que se Deus não atendesse minhas orações eu iria muito triste para o céu, porque eu queria viver essa experiência aqui na Terra”, revela. Mas Deus ouviu as orações de Picó ainda no período de graduação. Hoje ele é casado com Edilaine Bartarim, com quem tem um filho de 3 anos, o pequeno Luiz Miguel. Picó acredita que sua esposa e seu filho são um dos motivos pelos quais Deus não permitiu que, em nenhuma das vezes, ele perdesse a vida. “Inclusive no meu último acidente, quando eu estava a caminho do hospital, minha família foi a primeira coisa que me veio à mente”, comenta o preceptor. “Mas meu sonho poderia ter terminado ali, a caminho do hospital.”

Durante os acidentes que lhe sobrevieram, Picó sentiu fragilidade e reconheceu que ele não é nada ao ser comparado a Deus. “São nesses momentos que você percebe que não é capaz de fazer nada por si só e reconhece sua pequenez ao analisar as desgraças que podem acontecer com você no dia a dia”, reflete. Agora, Picó acorda e, antes de tudo, ora e agradece a Deus por mais um dia de sua vida e pela oportunidade que tem de, simplesmente, orar. “Antes, quando meu filho me acordava de madrugada me pedindo alguma coisa, eu ficava bravo. Hoje, fico feliz por ter alguém para me acordar e eu perceber que ainda estou vivo”, exulta.

 

Sobre Vanessa Moraes

Vanessa Moraes é jornalista da Seven Editora, empresa que publica as revistas Mais Destaque e Desbravar. Formada pelo Unasp campus Engenheiro Coelho, trabalhou na instituição como assessora de comunicação e também tem formação técnica em rádio e TV. Devoradora de livros, é apaixonada pelo seu trabalho e pretende mostrar Deus às pessoas através dele. Gosta de cantar e não perde a oportunidade de tomar aquele suquinho de laranja natural.

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